BENONI ARAÚJO - UM CONTEMPORÂNEO
Sobre o livro Sob a ira do mar I “A vida apenas, sem mistificação”, diz o último verso de Os ombros suportam o mundo , de Drummond, publicado originalmente em 1940, no livro Sentimento do mundo . Começo por esta reminiscência algo “sinestésica” – uma, dentre outras -, a que Sob a ira do mar , segundo livro do poeta Benoni Araújo, me reporta. Evoco-a como modo de aproximação receptiva, levado, desde a obra de Benoni, por afetos, termos que utilizo aqui naquele sentido empregado por Gilles Deleuze quando se refere à Arte enquanto campo de produção de perceptos – complexo de sensações e afetos, enquanto, por exemplo, a Filosofia, diferentemente, de acordo com tal filósofo, produziria conceptos . É então com base nesse estado afetivo que direi um truísmo indesculpável ao afirmar que poesia é para ser lida, sentida – não, reportada conceitualmente, ainda que o meta-discurso, a crítica, tenham, sim, um papel fundamental, principalmente, no que diz respeito ao reconhecimento e divulgaç...